CURTO & GROSSO: A Perigosa Inversão de Valores mata mais que tiro ou facada!

CURTO & GROSSO: A Perigosa Inversão de Valores mata mais que tiro ou facada!

Roger Campos
14 de setembro de 2026

Nesses meus 34 anos de carreira, pude trabalhar em vários veículos de comunicação, em várias cidades, dentre elas uma cidade que gosto muito: Varginha. Lá, trabalhei em diversos veículos impressos e foi uma época muito bacana. Mas, separando o joio do trigo, novamente preciso explicitar a minha revolta, a minha indignação, o meu profundo lamento, a minha repulsa e os meus porquês diante de tanta desassociação da realidade em diversas matérias jornalísticas de muitos veículos daquela cidade.

Não, não é de hoje que eu falo isso. Há tempos que eu tenho notado o engessamento da imprensa de Varginha, a distorção dos fatos, a preguiça de uma boa apuração, a falta de lisura, de transparência e a busca pela defesa da Justiça.

Querem um exemplo? Caso Davi Miranda Totti. Imprensa calada, publicou apenas o arroz com feijão, não cobrou, não exerceu o papel de ser a extensão dos olhos e da voz da sociedade.

E o caso da mulher que contratou uma moto uber, foi encontrada com muitos ferimentos e acabou perdendo a vida? Cadê as cobranças? Cadê a neutralidade? Cadê a coragem? Vão sair do distanciamento das salas e dos estúdios, do ar condicionado, vão tirar o paletó e vão arregaçar as mangas quando?

A população de Varginha já não confia como antes na imprensa de lá. Passou da hora de reverem isso.

Podem torcer o nariz, podem fazer campanha, podem me colocar na geladeira. Não tô nem aí para o que eles pensam. Mas o trabalho jornalístico que eles fazem me envergonha! Mas não são todos!

Agora, um caso em que imagens mostram dois indivíduos numa moto, de madrugada, entrando no estabelecimento sem qualquer revista, com a placa da moto tampada, e com um objeto numa das mãos que teria colocado muita gente em pânico e em perigo.

Aí, um homem da lei (para os ignorantes, é preciso dizer que policial é policial 24 horas por dia e tem o direito de estar armado 24 horas por dia) defende a sociedade evitando que inocentes possam ser atingidos, alvejados, por aquele tal objeto, ou pelo que poderia sair dele, e aí a distorção de valores coloca o policial como errado e o indivíduo como vítima da sociedade.

Tenho muito respeito pela família de todos os envolvidos nesses tipos de caso. Mas quem parece não respeitar a dor da família é o próprio ente… Deveria ter pensado antes, né?

Pior do que algumas pessoas publicarem isso nas redes sociais, é ver a imprensa escrota, tendenciosa, manipulada, parcial, escrever um título para a reportagem desta forma: “jovem de 22 anos morre após ser baleado por policial de folga em Varginha”.

Quem escreveu esse título deu a entender para os seus leitores que o policial praticou um homicídio de forma fria, sem motivação, sem revelar a tônica da situação. É como dizer que a banana estava comendo o macaco.

Vai ver, essa imprensa deve ser composta somente por estagiários no primeiro dia de trabalho. Tenham a santa paciência!

Vai ver, o barbeiro que estava na garupa da moto (que poderia sim ter sido uma pessoa boa durante toda a vida praticamente, e que apenas se desviou do caminho, como muitas pessoas comentaram), estava carregando numa das mãos uma máquina de cortar cabelo. Sim! Do jeito que a imprensa de Varginha relata os fatos, vai ver, ele deixou a família em casa e foi às 5 horas da manhã fazer um trabalho social naquele local para cortar muitos cabelos de graça… Aí um sujeito despreparado resolveu esvaziar a sua raiva num cidadão que não se portava de forma ameaçadora contra inocentes…

Ah me poupe!

O que está acontecendo aí imprensa de Varginha?

Tantos bons profissionais aí e o que muitos de vocês têm entregue na imprensa me envergonham. Me causam perplexidade.

Sei que infelizmente a lei impede que nós, profissionais do Jornalismo, usemos determinados termos contra os coitadinhos foras da lei, mesmo em flagrante. Mas é preciso deixar a conivência, os interesses pessoais, o comodismo, talvez até não colocarem na primeira prateleira o poder do dinheiro e das influências.

Lamento profundamente!

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Roger Campos

Jornalista / Editor Chefe

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